(Des)Educar

Maio 22, 2008

Desde sempre que antecipámos que a educação da Lourinha é sem dúvida o nosso maior desafio. Pela missão em si e pela conjugação de todos os outros factores que a tornam cada vez mais difícil. A nossa menor disponibilidade em tempo para estarmos com os nossos filhos, a forma como cada vez mais estão expostos a tudo em geral e ao medíocre/mau em particular,…Sempre soubémos que teremos grandes dificuldades em definir determinadas regras ou manter determinados padrões de conduta sempre que tal signifique ser a excepção relativamente aos demais. Sabemos que o caminho a seguir é mantermos os nossos valores, a nossa conduta, as nossas regras, a nossa disciplina, distinguir o bem do mal, acreditando que há-de servir para algo. Mas um exemplo simples, tão simples, deixa-me apreensiva. A Lourinha sempre gostou de leite, tempos houve que bebia 300 ml ao pequeno-almoço. Algures no final do ano passado apercebi-me que bebia esporadicamente leite achocolatado na escola, prática introduzida na “sala dos 2 anos” sem qualquer aviso prévio e pela qual manifestei desagrado, indicando que não seria de manter com a Lourinha. Infelizmente e no mesmo espaço escola ocorre pelo menos nalgumas celebrações de aniversário dos coleguinhas, esperando eu que seja apenas nessas circunstâncias. O resultado desta deseducação adquirida na escola está à vista, depois de cerca de 1 mês de esforços absolutamente incríveis da nossa parte para contornar este novo obstáculo de não querer beber leite. Hoje lá comprámos a embalagem do pózinho. Eu fico absolutamente decepcionada. Curiosamente a pediatra tinha alertado que o consumo esporádico de leite achocolatado podia conduzir a este resultado precisamente por saber que a grande maioria das escolas praticam estas e outras aberrações alimentares. Referiu mais: que na escola primária em que o Estado se responsabiliza por garantir o lanche à criançada, fá-lo também recorrendo aos pacotinhos de leite achocolatados, demitindo-se uma vez mais da sua função de educador. É sem dúvida mais uma face de uma essência que se vai perdendo.

2 Respostas para “(Des)Educar”


  1. Uma questão interessante mas discutível, na minha maneira de ver, claro!…
    lembro-me quando era pequenota e andava na escolha, existiam uns copos de leite de plástico de várias cores, o meu era azul, lembro-me bem, faziamos fila para ir buscar o leite, mas eu não gostava muito do leite que serviam…então a minha Mãe passou a preparar o meu lanche e a entregar na escola…era o papel dela, de Mãe e Educadora…não que não ache que a escola e o estado não tenham responsabilidade, têm, mas cada vez mais os pais se “demitem” das suas responsabilidades…
    a minha mãe todos os dias me perguntava o que tinha feito, a que tinha brincado e o que tinha comido, naturalmente eu poderia “mentir”, a visão do mal e do bem das crianças é diferente, mas esteve o suficientemente atenta e com “truques” de Mãe, para estar a par do que ela queria para a minha educação e quando “discordava”, não em termos de formação escolar, porque essa sim, é uma responsabilidade dos professores…tinha o seu papel interventivo….quando levei a “reguada” da minha vida foi marcante, ainda hoje sei porque foi…os meus pais, foram devidamente informados e em momento nenhum se viraram contra a professora, hoje, não sendo eu Mãe e falando um bocadinho de cor…a sensação que tenho pelo que vou ouvindo, e sendo filha de um dos melhores educadores que conheço (o meu pai, que ainda hoje mantém uma excelente relação com os alunos, que hoje alguns são colegas, e muitos deles foram de gerações complicadas, um recém pós 25 de Abril, turmas de desporto, sempre com histórias conturbadas em comportamentos), sinto que os pais, pela vida profissional cada vez mais competitiva, estão a delegar demais na escola, as suas próprias responsabilidades e como forma de compensação pela ausência na vida dos filhos…tomam o partido deles e agridem literalmente os professores…
    mas esta é só a minha visão, não sei se me desviei muito do teu Post NakedSelf, mas foi o que me surgiu ao lê-lo atentamente, e sem qualquer avaliação à situação especifica da minha amiga Loirinha :)
    Bom Domingo :)

  2. NakedSelf Diz:

    Eu não tenho a disponibilidade que a minha mãe teve para me educar. Mas sou das poucas pessoas que de manhã não “despeja” os filhos na escolinha, subo pacientemente as escadas com ela, faço gosto em vestir-lhe o bibe, dar alguns mimos e falar com quem a recebe, falando sobre o comportamento que teve desde o dia anterior ou outras preocupações que possa ter. Ao final do dia também sou das mais lentinhas a recolher a Lourinha, pergunto sobre a higiene, como se comportou, o que fez, o que comeu, o que deixou de comer. Não estando afixado em lado nenhum se o leite é achocolatado ou não (não está explícito no menu, aqui não fui eu que deleguei na escola, foi a escola que se demitiu das suas responsabilidades) e tendo a Lourinha começado a falar há pouco tempo, é daquelas coisas que passam ao lado nestas idades. Até porque a escolinha tem revelado um standard elevado nestas coisas, não havia porque supor que o dito aparecesse nos lanches. Em Outubro reparei que o babete que veio sujo para casa estava cheio de chocolate num dia em que não era suposto ter havido sobremesa doce (que acontece 1 vez por semana, outra coisa com a qual discordo, mas argumentam com a treta de que os menus são feitos por nutricionistas. Os restantes pais iam-me caindo em cima na reunião de pais… ) nem festinha de anos. Inquiri e percebi que tinham passado a dar leite achocolatado 1 vez por semana e também tinham introduzido mousse de chocolate. Proibi ambos à Lourinha, mas nada posso fazer sobre as festinhas de anos, que as há com alguma frequência. E isto é assim em todas as escolinhas, acredita. A pediatra da Lourinha já me tinha alertado, inclusivé numa escola de muita reputação e onde eu própria andei com estas idades até Tulicreme dão no pão ao lanche, acreditas? A pediatra disse-me com tristeza que foi a única mãe que protestou sobre o facto e que os restantes encarregados de educação ainda reagiram contra ela. E está também envolvida numa comissão para tentar alterar a nutrição das escolas aqui na região. O problema, Gi, é que passámos do ciclo virtuoso positivo em que fomos educados e em que havia tanto de disponibilidade como de valores, para um ciclo vicioso negativo, onde há tanto de indisponibilidade, como de falta de valores, proliferando o facilitismo. Eu bem vejo a quantidade enorme de guloseimas (trash) que a Lourinha traz para casa sempre que um coleguinha faz anos. É muito giro dar prendinhas em embrulhinhos giros e tal, mas a Lourinha nem vê o que vem lá dentro, assim que chegam a casa desaparecem. Nunca provou um chupa-chupa nem análogos. Mas é tudo uma questão de tempo, Gi. Porque o colectivo, acredita, tem um efeito demolidor. Eu continuo na minha, resisto, insisto, persisto, nada de prendinhas aos coleguinhas no anirversário da Lourinha e por aí fora. Chamem-me antipática, inconveniente, chata, o que quiserem. Eu quando ceder é quando fôr apanhada na curva, que foi o que aconteceu. Ah! E acho que me sinto confortável em opinar, sem me demitir da minha função de educadora. Tenho acompanhado desde sempre muito de perto, como tu, o que é ser professor…a minha mãe é professora de matemática no secundário, uma eterna lutadora, uma vez mais a minha referência. E mais não preciso dizer ;)


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