(Des)Continuidades

Maio 21, 2008

Todos nós passamos por situações, processos, pessoas que pura e simplesmente são descontinuados na nossa vida. No sentido de se conjugarem circunstâncias que promovam um corte abrupto. Pode ser a morte, pode ser uma mudança súbita, o que seja. Saber lidar com estes processos pode ser complexo, doloroso, moroso,…Acho que todos nós passamos por algumas situações destas na vida, aquelas que tipicamente se “resolvem com o tempo”. Ou talvez não?…É fácil mantermos estes “fantasmas”, “medos”, ou o que se lhes queira chamar, enraizados em nós. Porque é fácil e tremendamente tentador agarrarmo-nos ao impossível do “se”. É fácil reviver a descontinuidade, perpetuando-a. Ao olhar para trás percebo que afinal os “fantasmas” que pudesse ter na minha vida foram de facto e sem qualquer dúvida resolvidos em devida altura. Foi por isso que deixei a minha vida prosseguir aceitando cada nova etapa com sendo O novo desafio, O novo passo, O caminho a seguir. Conhecendo-me como me conheço, por ter sempre metas bem presentes e por ser persistente ou, por outras palavras, por saber que persigo o que de facto acho ser merecedor de tal, se não o fiz relativamente a algo ou a alguém foi porque pura e simplesmente não tinha motivos para tal. Sei também que é possível “desenterrar” estes temas em nós com maior ou menor magnitude função de eventuais vulnerabilidades que se possam conjugar em determinados momentos das nossas vidas. E isto não é necessariamente mau, às vezes é o “empurrão” que faltava para percebermos de uma vez por todas que uma vez mais o coração e a razão funcionaram em caminhos opostos – a razão questiona o que o coração já resolveu (e bem) há muito, refém de uma lógica que adquiriu no exercício do “se”. O importante para mim no meio de toda esta reflexão é ter a profunda consciência que nenhum destes processos pelos quais possa ter passado diminuíram nalgum momento o gosto ou o valor do que fiz desde então. Muito pelo contrário. Tem sido mais uma espécie de carpe diem. Ou não fosse a vida feita feita de pequenos nadas.

3 Respostas para “(Des)Continuidades”

  1. P. Diz:

    Por vezes tomamos decisões apoiados na razão quanto o coração também deve estar em sintonia. Quando isso não acontece há processos destrutivos que podem ocorrer, apenas porque o coração não está lá, ou não está como devia estar, porque continua a olhar para trás. A descontinuidade nem sempre é fácil de conseguir, mas, por vezes, temos conduzir as coisas para que ela exista….


  2. Foi muito difícil “encaixar-me” nest post e por isso comentá-lo…para mim, daqueles posts, que só quem o escreve sabe do que fala, ao ler o comentário do P. apraz-me dizer que a descontinuidade não faz sentido, porque todos somos o resultado do que vivemos, das pessoas com quem nos cruzamos, todos deixamos algo na vida uns dos outros, o facto de não haver uma continuidade numa relação, não significa necessáriamente descontinuidade…cada pessoa representa na nossa vida o que nós próprios quisermos…não temos necessariamente de descontinuar para “fecharmos” um processo…
    o ideal seria o coração e a razão andarem de mão dada…a sintonia perfeita, mas essa nem sempre existe…o que na minha opinião, depois de várias batalhas interiores, na ausência dessa sintonia o melhor seria deixar rolar…sem descontinuar!
    mais uma vez, comentei apenas sobre o senti ao ler…;)

  3. NakedSelf Diz:

    Tentei que o título do post passasse essa dualidade descontinuar/continuar ;) E o post deve ser lido como cada um bem entender, por isso o comentário do P. não está propriamente alinhado com a intenção do post. A minha intenção era mesmo a de me referir a processos que são interrompidos, logo descontinuados e devido a factores “externos”, como por exemplo a morte ou cortarmos o contacto com alguém devido a uma circunstãncia muito específico. A situação em si constitui uma descontinuidade, a forma como reagimos e a ultrapassamos…


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